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(Review) O olhar lúdico e ousado de Peter Greenaway sobre Eisenstein

Ao retratar a vida de Eisenstein, o britânico Peter Greenaway mantém a assinatura com uma linguagem repleta de experimentação em uma mescla de beleza plástica e teatralidade, além disso, ousa nos diálogos repletos de referências à história do cinema e ao contexto político. Um olhar lúdico sobre o que teria sido a trajetória do cineasta durante a estadia no México.

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Imagem/Esfera Filmes


Ambientada em 1931, a narrativa resgata o período em que o diretor Serguei Eisenstein permaneceu em Guanajuato para a realização de uma espécie de documentário sobre a cultura mexicana. Neste momento da vida, aos 33 anos, ele teria encontrado oportunidade para o autoconhecimento e também o espaço necessário para viver uma paixão, mudando assim a maneira de encarar o mundo.

Partindo de uma inocência quase juvenil, Greenaway retrata o protagonista, interpretado por Elmer Back, de modo diferente da imagem de seriedade esperada de um símbolo nacional, responsável por obras como O Encouraçado Potenkim (1925) e Outubro (1928). Mas ao que parece, o objetivo é exibir a intimidade deste homem, inclusive, a suposta relação amorosa dele com um professor.

Da mesma forma, o longa também investe nas experimentações visuais, como as conseguidas com a lente olho de peixe; além da iluminação e direção de arte impecáveis. Destaque para a cena do cemitério, na qual as flores parecem pinturas e servem de cenário para a conversa inspiradora entre Serguei e o personagem de Luis Alberti. Tanto o texto quanto a pós-produção são caprichados.


Imagem/Esfera Filmes
Imagem/ Esfera Filmes
Um diferencial também perceptível é o uso da linguagem teatral, aspecto visível na marcação de cena e na entonação das falas ou mesmo na maneira como os atores encenam, algo bastante explícito em determinados momentos. Ainda é possível observar alusões a clássicos como Hamlet de Shakespeare, por exemplo.

Outro ponto marcante é a falta de pudores, evidenciada na nudez, na sexualidade ou mesmo no tom sarcástico adotado para tratar de aspectos históricos, inclusive, os de maior polêmica. Por mais que a intimidade seja o foco, não espere pelo típico romantismo com direito a beijos apaixonados, esta não é a linha cinematográfica proposta.


Imagem/Esfera Filmes

Imagem/Esfera Filmes
'Que Viva Eisenstein! 10 dias que Abalaram o México' (Eisenstein in Guanajuato) é uma produção voltada para quem realmente aprecia o cinema como sétima arte, longe dos convencionalismos. Mas ainda assim, o tom excessivamente lúdico pode ficar devendo algo mais concreto aos conhecedores do trabalho do artista russo. 

Apesar de utilizar, por vezes, registros reais desta trajetória, inclusive com a apresentação do encontro com figuras marcantes como Frida Kahlo, o objetivo não é informar. Portanto, trata-se de um filme inspirado na vida do cineasta, esteticamente impecável, inventivo, mas não espere por um documentário. 


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